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Centro de Estudos

CENTRO DE ESTUDOS E PRÁTICAS DO TEATRO DE ANIMAÇÃO

 

Centro de Estudos e Práticas do Teatro de Animação foi criado em Janeiro de 2002 e, em ininterruptas atividades que se estenderam até 2012, foi um profícuo espaço de referências para o teatro feito através de bonecos, objetos e formas animadas, como também um pólo de experimentos e buscas por novas e renovadas linguagens teatrais.

O projeto dividiu-se entre a realização de uma intensa programação artística e um permanente espaço de formação profissional para todos os interessados, além de se fazer primordial para o fomento do trabalho da Cia. Truks que, a partir dos estudos, reflexões e experiências realizadas no espaço, estreou 8 novas montagens, desde o início destas ações. Não somente, o Centro foi responsável pela criação de quase uma dezena de novos grupos teatrais, e de pelo menos mais uma dezena de espetáculos, destas novas companhias. A partir da realização de inúmeras oficinas, e da troca de informações, experiências e procedimentos com vários grupos que ali operaram, o Centro trabalhou pela melhor formação dos profissionais do Teatro de Animação de São Paulo, oferecendo-lhes um amplo leque de possibilidades de ações, e, sobretudo, de instrumentalização para este fim. Não somente, também presenteou a comunidade, como um todo, com a sua rica programação artística que, aberta e gratuita, realizou uma ininterrupta agenda de apresentações de espetáculos para adultos e crianças, além de festivais de pequenos quadros e experiências cênicas. Promoveu, ainda, a realização de uma Oficina Permanente de Teatro de Animação, que trabalhou com afinco pela busca de linguagens cênicas inovadoras, e próprias de seus criadores. Completaram a programação, ainda, a realização de mesas redondas, palestras, discussões de projetos compartilhados e estudos e reflexões acerca deste fazer teatral.

 

A BUSCA DO NOVO NO TEATRO

Costumamos citar, sempre, entre as experiências do Centro, uma que tão bem sintetizou a ideia do que chamamos de "busca pelo NOVO" no teatro. Ao solicitarmos aos participantes da Oficina Permanente que realizassem uma cena de amor em que os protagonistas fossem apenas objetos, um dos grupos criou a cena de amor impossível entre uma vela e um cubo de gelo. Na primeira fala do cubo, em que implorava à vela que não se aproximasse demais, pois estaria “se derretendo de amores”, a plateia já expressava sua total surpresa e satisfação com a montagem. Trata-se, portanto, da criação de algo inédito, pois cenas de amor com atores de carne e osso, não por isto melhores ou piores, foram feitas aos milhares. Não seria demais arriscar dizer que a cena de amor entre uma vela e um cubo de gelo, quem sabe, tenha sido única, talvez jamais vista em tempo ou parte alguma.

 

Bonecos e objetos tomam o centro da cena, em espetáculos inteiramente elaborados e produzidos no Centro de Estudos: “Isto não é um Cachimbo”, da Cia. Truks, “Pequenas Coisas”, de Grupo Morpheus Teatro 12 e, “Popol Vuh”, da Cia. Matéria Bruta, criada por alunos da OFICINA PERMANENTE do espaço.

 

É deste NOVO teatro que estivemos, sempre, em busca! Do que fosse verdadeiro ao indivíduo criador: sua expressão artística própria, e não automatizada por regras, ou copiada. O universo do Teatro de Animação, por sua infinita possibilidade criativa, parece-nos poder oferecer este importante mergulho em uma linguagem cênica genuinamente individual e, consequentemente, verdadeira ao seu criador, e assim de fato artística.

 

ALGUMAS REALIZAÇÕES

Como resultado deste intenso trabalho, foram criados diversos novos grupos teatrais na cidade de São Paulo, além de mais de uma dezena de espetáculos que primam pelo desenvolvimento de linguagens originais. A Cia Truks, no Centro de Estudos criou, em 2002, o espetáculo “Vovô”, que vem sendo apresentado por todo o país através do Projeto SESI BONECOS DO BRASIL, para surpreendentes platéias de até 5000 espectadores. Em 2004 foi a vez do espetáculo “ZOO-ILÓGICO”, em que são construídos, totalmente à vista da platéia, mais de uma dezena de animais, apenas e tão somente com o uso de objetos contidos em uma cesta de piquenique. A montagem foi apresentada em diversos países e recebeu vários prêmios. Em 2006 foi a vez do infantil “Gigante”, com dramaturgia toda feita e discutida nas reuniões do espaço, além da criação do primeiro espetáculo, da Cia., destinado ao público adulto: “Big Bang”, em que surpreendentes técnicas são utilizadas - desde a animação de sacos de lixo até a interação de um boneco com a imagem de uma TV. Em 2007 o Centro de Estudos foi responsável pela montagem do espetáculo adulto “ISTO NÃO É UM CACHIMBO”, com a participação ativa dos alunos da Oficina Permanente de Teatro de Animação do espaço. A peça foi selecionada para compor o projeto VIAGEM TEATRAL 2008, do SESI, e foi apresentada em quase duas dezenas de cidades do interior do estado de São Paulo. A montagem dá vida às inquietantes obras do pintor surrealista René Magritte. Figuras intrigantes saem das telas do artista para ganhar o palco, em cenas de forte impacto visual e conceitual: um velho homem, cujo peito é uma gaiola, despede-se da vida; uma camisola ganha vida e reflete as dores da alma de sua dona, uma família de mortos vivos a esperar na sacada, um homem às voltas com a idéia de tirar a própria vida, resolve trocar de cabeça, entre outras passagens deste espetáculo repleto de belas imagens e muita poesia.

Não somente, a partir das experiências de aproximação de profissionais promovidas pelo espaço, a Cia. Truks trabalhou em parceria com diversos outros coletivos teatraiss. Henrique Sitchin, coordenador do grupo, dirigiu o Grupo Teatro Por Um Triz na criação do originalíssimo “Pinóquio, Etc. e Tal”, em que 4 marceneiros contam a história do boneco de madeira utilizando-se, para este fim, apenas dos objetos encontrados na marcenaria. A baleia que engole Pinóquio será feita por dois serrotes, o barco de Gepeto é uma gaveta, e assim por diante. Henrique dirigiu também o Grupo Matéria Bruta, formado por participantes da Oficina Permanente de Teatro de Animação do Centro, em seu surpreendente “Popol Vuh”, em que argila, gravetos e sucatas de informática contam a história da humanidade, em um espetáculo surpreendente, crítico e denso. A Cia Truks orientou o grupo Luzes e Lendas na montagem do belo espetáculo “Albertinho: Menino Voador”, em que a vida de Santos Dumont é contada de forma leve e criativa. Truks igualmente esteve presente, em longos debates, trocas de informações, ensaios abertos, e prestando orientação, no processo de trabalho do Grupo Morpheus Teatro, e seu belíssimo espetáculo “O Princípio do Espanto”, em que João da Silva Araújo, ex integrante da Cia Truks, manipula a cabeça do boneco com a sua boca, numa proposta muito poética e de resultado plástico surpreendente. João, ator solo da montagem, já levou seu trabalho para a Irlanda, Itália, Vietnã e Espanha, além de se apresentar por todo o Brasil. A Cia Truks apoiou, ainda, a criação do poético e sensível espetáculo “PEQUENAS COISAS”, também do grupo Morpheus Teatro. Viu surgir, no espaço, o divertidíssimo “HISTÓRIA DE BAR”, trabalho nascido de um exercício promovido pela Oficina Permanente, que acabou por resultar em um brilhante espetáculo de teatro de objetos, encenado pelo ator José Valdir Albuquerque, e incorporado ao repertório do grupo. Truks trabalhou, ainda, com mais de uma dezena de novos grupos e profissionais, em pequenas montagens e também grandes projetos, como a produção, para marionetes de fio da obra “O Pássaro de Fogo”, feita sob direção do bonequeiro americano radicado no Brasil, Roger DuPen. A montagem foi toda ela feita com alunos da Oficina Permanente do Centro, ministrada por Henrique Sitchin.

A baleia de “Pinóquio Etc e Tal”, cena do cativante “Albertinho: Menino Voador” e boneco do espetáculo “O Pássaro de Fogo”.

 

O resultado deste intenso trabalho é detalhadamente descrito nos livros “A POSSIBILIDADE DO NOVO NO TEATRO DE ANIMAÇÃO” e "O PAPEL DO ATOR ANIMADOR NA CENA TEATRAL", de Henrique Sitchin, publicados em 2009 e 2010, e que podem ser solicitados através do e-mail truks@uol.com.br